Independência ou Morte

Posted on 07/09/2011

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Ayn Rand

Há alguns dias, terminei de conferir um tijolinho entitulado “The Fountainhead” (A Nascente), da Ayn Rand, um  livro fantástico. O conteúdo (como quase tudo que ela escreveu) está estribado numa filosofia batizada, nos anos 50, de “objetivismo”, uma espécie de religião de si mesmo, apologia do individualismo saudável. A autora, em linhas gerais, diz que antes que a gente possa fazer algo para os outros, deve se tornar o tipo de pessoa realmente capaz de fazer algo e, para isso, seria fundamental ter uma mente independente, comprometida com a excelência, e desgrudar da manada. Epítome minha, em palavras bem brandas. Cá para nós, o conteúdo é, na verdade, mais explosivo e radical e confesso que nem sempre dá para carimbar e assinar embaixo…

O protagonista, o arquiteto Howard Roark – com rumores (prontamente negados) de que teria sido inspirado no renomado arquiteto Frank Lloyd Wright  - apesar de antítese do típico “bom moço”, é  um herói íntegro, com uma determinação de aço, um compromisso inegociável com a sua verdade, jamais se deixando vender ou dobrar pela mediocridade ao redor, mesmo que isso o leve à pobreza e obscuridade. Na sua luta contra o mundo, nos sacode e inspira, faz olhar para o próprio umbigo, para o esforço inútil que às vezes fazemos em  busca de aprovação, de corresponder a expectativas e cobranças alheias, dançando conforme a música da hora, nos ajustando ao sistema…  Âmago de boa parte das neuroses e encrencas que arrumamos vida afora…

Enfim, um romance envolvente, num texto fluido, que literalmente devorei.

Nos últimos tempos, além dos livros, também comecei a navegar um pouco mais por outras águas bloguísticas e tenho me deparado com muita coisa boa. É gostoso quando sinto que a leitura, de alguma forma, me enriquece, transporta para um contexto inusitado ou cria do nada a centelha de uma conexão, afinidade instintiva… Afinidade sempre traz conforto, né? Ainda mais quando estamos ainda dando os primeiros pontos no tecer de uma nova história, longe da antiga rede de segurança.

Coincidentemente, numa época em que o livro da Ayn Rand me chacoalhava, o universo parecia conspirar para que eu encontrasse em certos blogs passagens e idéias análogas, vozes que se juntavam e ganhavam força, questionando e discutindo a importância da mudança, da busca da felicidade nos próprios termos, por caminhos novos, menos percorridos. Para mim, sempre valeu – e segue valendo – a pena. Mesmo que sejamos crucificados em algum ponto.

Outro dia,  li o desabafo de alguém, com questionamentos meio parecidos com os meus logo que mudei de país, incomodada às vezes com perguntas e comentários, talvez até inocentes, pelas escolhas diferentes que fez… Empatizei um bocado com a blogueira. E ontem, por acaso, encontrei um texto muito articulado e coerente sobre o assunto, no Chá das 5 (Uma Carta sobre o Direito de Mudar), que visitei pela primeira vez. Fico imaginando o tanto de gente que não foi tocada por essas palavras.

Steve Jobs

É fascinante o acesso que temos à informação hoje em dia. As preciosidades que podemos garimpar… Quando tenho tempo, gosto de navegar pelo site da TED (Technology, Entertainment and Design), de preferência pela manhã, porque sei que vou me sentir inspirada pelo resto do dia. É tiro e queda. Eles têm conferências anuais interessantíssimas com personalidades que se destacam no mundo em várias praias, da ciência à cultura, e os vídeos, de até 18 minutos, têm a opção de legendas em pelo menos 20 idiomas, inclusive o português. É informação relevante, de qualidade, que vale ser filtrada, digerida e transformada em conhecimento, desafiando muitas vezes conceitos tomados como óbvios, a ordem natural das coisas, fazendo a gente se conscientizar ainda mais do próprio poder de decisão, de ação, da capacidade de fazer diferença… Aulas espetaculares com a Jill Bolte Taylor, Jane Goodall, JR… De graça!

Por aqui, muito se tem falado sobre Steve Jobs, do ponto de vista pessoal e profissional, principalmente, depois que ele renunciou à presidência da Apple e foi divulgada aquela foto em que aparece bastante debilitado fisicamente. De forma geral, os artigos que pipocam têm sempre um toque de tristeza. E reverência.  Ele vai deixar uma marca profunda na nossa geração. E, certamente, em todas as que virão.

Termino postando um discurso legendário dele que, apesar de ter sido conduzido numa formatura na Universidade de Stanford, em 2005,  faz parte também do arquivo da ted.com.

Aqui, ele menciona os obstáculos desde o nascimento, as circunstâncias em que foi adotado, como recebeu o diagnóstico do câncer, e nos deixa uma mensagem de imensa sabedoria:

“Seu tempo é limitado. Por isso, não o perca vivendo a vida dos outros. Não fique preso na arapuca dos dogmas – de viver de acordo com o resultado do pensamento dos outros. Não deixe o barulho das vozes alheias abafarem a sua voz interior. E o mais importante: tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles já sabem o que você verdadeiramente quer ser. Tudo mais é secundário.”

E fecha com chave de ouro:

Stay hungry. Stay foolish.

São mesmo vários os tipos de independência.

Feliz sete de setembro.

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Posted in: Ponto de Vista