Nos mudamos para cá há cerca de dois anos. Para mim, um novo país, uma nova vida, um novo “eu”. Tateando, experimentamos aqui, nos transferimos, experimentamos ali, o tempo passou, circunstâncias mudaram, e cá estamos de novo na maratona da busca pelo lugar ideal, desta vez, com um pouco mais de convicção de onde e do que queremos, com a esperança de que o próximo seja um teto para o resto da vida.
Percebemos que quanto mais fazemos e desfazemos as malas, mais a inclinação aventureira às multi-bases se dissolve dentro da gente, dando lugar a um conceito mais sólido de “casa”, “lar” e “raízes”, cada vez mais ruminado, questionado, ansiado… Sine qua non, como diria, dedo em riste, o antigo, barbudo presidente.

Dizem que “a casa é onde o coração está”, uma singela verdade, mas acredito também que, como tudo mais, temos que ir à luta, correr atrás e dar um empurrãozinho na sorte. Afinal, queremos todos um coração saudável e feliz, se possível, pelo menos para mim, num santuário em sintonia com o nosso estilo de vida, sinônimo de conforto, harmonia, segurança, identidade… Com muita luz natural. Por isso, estamos dispostos a ir até o fim, em busca do feng shui.
Depois de Tóquio, nesses últimos dois anos de Estados Unidos, passamos por várias mudanças. Amadurecemos, estamos menos inquietos, apreciando um bocado mais a vida em câmera lenta: o respirar, sorrir e seguir devagar, parando para, como se diz por aqui, “smell the roses“, sentir o perfume das rosas. Hoje, vemos para nós, a longo prazo, muito mais benefício numa cidade pequena, com um forte senso de comunidade, um lugar tranquilo, se possível, perto do mar, da natureza, onde possamos curtir longas caminhadas…

Estamos explorando as possibilidades numa região cheia de praias, trilhas, bosques, vinícolas e até fazendas. Comprar uma casa é certamente uma das transações comerciais mais importantes da vida e esse processo num país estrangeiro tem sido, no mínimo, educativo e interessante.
Lição número um. Tendo sua renda baseada na comissão da venda, independente da simpatia, empatia e todas as “-tias” juntas, não podemos nos deixar enganar: tenhamos em mente que o corretor imobiliário trabalha muito mais para quem vende do que para quem compra. Dito isso, para começar, é importante, ao menos, encontrar um profissional experiente, que “saiba das coisas”, entenda nossas necessidades, retorne contatos sem demora, de preferência, recomendado por pessoas de confiança. Aprendemos que é vital fazer direitinho o trabalho de casa, pesquisar a realidade do mercado, compilar uma lista de prioridades, dedicar um bom tempo ao reconhecimento in loco, com muitos regressos para “sentir” o lugar, as pessoas, a indústria de serviços…
Nas andanças, vimos muitas coisas inusitadas. Por exemplo, à venda na beira da estrada, uma casa grande sobre rodas, num terreno aberto, no meio do nada. Parecia saída de um filme de Hayao Miyazaki. Claro, tivemos que parar para dar uma clicada.
Outra vez, entramos numa casa inacreditável de caótica, com muito pêlo de cachorro, cacarecos amontoados, cheiro de urina, a dona, no quarto, impassível, com o computador no colo: tristemente, retrato vivo de uma vida em colapso… Incrível o tanto que uma casa é capaz de dizer de seus moradores… Me senti desconfortável, voyeuse e intrusa, visitando imóveis com objetos pessoais, roupas, retratos, perfumes e a bagunça privada dos residentes.
Às vezes, nos surpreendemos com a vibração peculiar de cada lugar: construções esteticamente atraentes, com ótima localização mas, mesmo despidas de qualquer mobília, com uma energia estagnada, baixo astral ou até, inexplicavelmente, opressora… Casas leves, pesadas, simples, complicadas, alegres, tristes…
O mercado imobiliário americano pós-bolha ainda segue canhestro. É difícil conseguir empréstimos nos bancos; vendedores e construtores continuam em deprê. Existem muitos arrestos, embargos de casas confiscadas pelos bancos (foreclosures) no auge da crise econômica, que ainda não entraram no mercado. Quando isso acontecer, temos a impressão de que os preços vão baixar ainda mais, com o excesso de oferta. A não ser que pinte a casa dos nossos sonhos, parece ser prudente esperar um pouco mais, com olhos bem abertos.
A seguir, cenas dos próximos capítulos…







Lucy
18/04/2011
Boa sorte para vocês, Lilian. Nós aqui estamos em uma empreitada similar, mas a médio prazo: escolher onde morar não é tarefa fácil e mais para mim que tenho roda no pé e não me imagino morando em um só lugar a vida toda. Um casa dessa com pneus (se eles rodassem) seria ideal para mim
Lilian Kano
19/04/2011
Obrigada, Lucy!
Que vocês também encontrem o que procuram.
Acabo de me lembrar da sua coleção de fotos de portas e daquela poesia do Vinicius, exprimindo o caráter, a importância de cada uma. Assim é a casa também, né.
Buscar uma coisa “para o resto da vida” dá um friozinho na barriga. Que bom seria mesmo se todas as casas viessem com rodas, ou fossem voadoras como o castelo animado de Miyazaki, e pudéssemos experimentar aqui e ali, sem o trabalho de ter que empacotar tudo a cada mudança… Aí, com o ninho intacto, quem sabe, não toparia continuar trocando de endereço…
Quanto à busca atual, acho que vai demorar, é um bocado de tempo, energia despendida, mas deve valer a pena.
Alzira Amorim
08/05/2011
Oi Lilian,
Desculpe só agora tive um tempo de com calma ler e deixar um comentário para você.
Mauro gosta muito de viajar e com isso quando volto para casa tenho sempre muitas mensagens para ler, encaminhar, arquivar e deletar.. Hoje consegui zerar as mensagens e
atualizar o Facebook, mas dia 12 estou indo para Cuiabá a capital de Mato Grosso para o casamento de uma sobrinha. Estou de acordo com o seu pensamento.
Viajar é muito bom, mas ter o seu cantinho num lugar aprazível é melhor ainda. Faço votos para que vocês encontrem a casa dos seus sonhos em um lugar bem bonito e por um bom preço.Beijos Alzira
Lilian Kano
09/05/2011
Obrigada! Vocês também estão sempre com os pés na estrada, né?
Um abração e tudo de bom!
SamantaSammy
24/09/2011
Olá querida !!!
Só me aventurei uma vez e foi numa mudança menor, mudei apenas de Estado, mas sempre moramos numa cidade muito pequena e sentíamos aquela vontade de ares maiores ! Hoje assim como mencionou, sentimos vontade de retornar, depois de vivermos na correria de uma cidade grande, onde tudo é diferente, nos vemos sonhando com a vida pacata que levávamos e não sabíamos valorizar ! Mas a vida tem destas coisas não é mesmo, certos experiências são necessárias para aprendermos algo
Quando decidirmos voltar espero ter uma procura de lares tranquila, mas assim como você também sinto a energia dos lugares e dou muita importância a isso, não tenho muito conhecimento do assunto, mas prefiro prevenir do que remediar rsrs
Um beijãoooo e bom fim de semana !
Lilian Kano
25/09/2011
Oi, Sam,
É bem verdade o clichê de valorizar o que perdemos, né?
Eu cresci no interior do Rio, num sítio com meus avós, até os 8 anos de idade. Depois me mudei para a “cidade grande”. Foi bom ter as duas experiências. Mas acho que o fator idade, a fase que vivemos, pesa muito na nossa preferência.
Essas fotos de cima foram tiradas na região dos Hamptons, no estado de NY. Mas, como temos baixa tolerância para o inverno, acabamos vindo parar no lado oposto do país, no sul da Califórnia. É onde decidimos nos fixar. Se vier para esses lados um dia, venha nos visitar.
Bjs!
cibely
23/12/2011
oi gosto muito do programa de vcs se puder falar o comentario que eu deixei ficarei feliz gosto muito do programa porque me ensina muitas coisas legais bjsssss xauuuuu!!!!!
Lilian Kano
23/12/2011
Oi, Cibely
Obrigada pela visita!
luciely mayara
09/01/2012
lilian ,essa casa com rodas é bem interesante , bem que poderia ser bem assim ne? mas este caminho da praia é muito longo bem assim é nossa vida ne? xau.