É bom estar de volta.
Hoje, logo pela manhã, saímos para uma caminhada. Não víamos a hora de rever os vizinhos, as gaivotas, o farol…
No passeio, andando bem devagar, respiramos o ar gostoso, absorvendo o que podíamos da energia do sol, do mar, da brisa nas árvores… Retornamos revigorados. A satisfação magnificada pelos dois meses de ausência e saudade acumulada.
Enfim, lar doce lar…
Na árvore do quintal, em frente de casa, duas joaninhas, como nós, também caminhavam em paz. Avançando confiantes, pareciam felizes. Talvez pelo dia bonito, pela abundância de comida ou, quem sabe, simplesmente por ter uma a outra nesse final de verão…
Sou capaz de enxergar sorriso nos cachorros e felicidade nas joaninhas. Meu marido, divertido, caçoa de mim.
Aqui, nos EUA, elas têm um nome mimoso, poético até: ladybug. É uma das minhas expressões favoritas em inglês. Assim como hula hoop (bambolê) e topsy-turvy (de pernas para o ar), por exemplo. A sonoridade me atrai.
Tem uma loja popular de roupas esportivas, bem confortáveis, do Canadá, chamada Lululemon. Me apaixonei pela palavra aglutinada, com três “eles”(l-l-l) ! Experimentem só pronunciar. Uma delícia.
Mas, cadê o fio da meada? Falávamos das joaninhas, não é mesmo?
Na Inglaterra, elas são chamadas de ladybird. Lady, sendo a forma curta de “Our Lady” (Nossa Senhora). Bird, “passarinho”… Mais tarde, os americanos criaram sua própria versão: ladybug, “Nossa Senhora do besouro” se levarmos em conta o aspecto cultural da etimologia, ou “dona besouro”, numa tradução mais literal e contemporânea.
Há uma série de variantes para a origem do nome, quase sempre diferindo em localização e tempo. Mas, em essência, a lenda mais popular diz que num longínquo passado da Europa medieval, os fazendeiros entraram em parafuso ao se deparar com a sua safra destruída pelos insetos. Oraram, então, para a Virgem Maria, rogando para que os ajudasse a combater a peste dos predadores e a preservar seu ganha-pão. Aí, de repente, puf, as joaninhas se materializaram, rubras e pequeninas, pintadinhas ou não, uma novidade para todos. E devoraram os outros insetos, poupando o que restava das plantações e salvando a pátria. Milagre… Assim, explica-se a referência a Nossa Senhora.
Em muitos lugares, a joaninha é símbolo da agricultura orgânica, por ser uma grande aliada na proteção das colheitas, ao mesmo tempo em que é vulnerável aos agrotóxicos.
Ela tem também um simbolismo auspicioso em várias culturas.
No Japão, é conhecida como tentoumushi(てんとう虫). Se esmiuçarmos o significado de “tentou” (“mushi”/ 虫 é inseto), vamos chegar aos caracteres chineses, 天道, “caminho do paraíso”.
Já começo a me empolgar com toda a sugestão de augúrio favorável. Com as interpretações mais diversas, o folclore, no mínimo, entretém e dá asas à imaginação.
Nesse embalo, segue uma última quimera. Que entre um ou outro inevitável nó de percurso, as joaninhas da sorte e da felicidade nos tragam muitas manhãs simples e belas… Como essa, de hoje cedo.
Já está bem bom.




Vitoria
29/08/2011
-Porque as joaninhas é o simbolo da agricultura organica?!
Lilian Kano
29/08/2011
A resposta está no texto, Vitoria.
Porque elas ajudam o agricultor, devorando os insetos que destroem as plantas, no lugar do agrotóxico.
Elas são uma forma natural de proteger a plantação de pragas.