Tailândia: Passando por Bangcoc, Chiang Mai e Phuket

Posted on 23/02/2010

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Como em 2009, nossa ida ao país coincidiu com a época do Ano Novo chinês

(livepage.apple.com). O feriado, de quase duas semanas, baseado no calendário lunisolar da China, esse ano culminou em 14 de fevereiro – dia do grande Festival da Lanterna – quando visitávamos a ilha de Phuket.

Com uma grande comunidade de origem chinesa, além de receber um imenso contingente de turistas para a celebração, a data dificilmente passa despercebida na Tailândia. No dia D, o comércio fechou em alguns lugares, a decoração comemorativa chamava atenção em todo canto, grandes festas em hotéis e restaurantes, um salto no preço de tudo… De quebra, pudemos também respirar um pouco da esperança coletiva no ar, de um ano do tigre próspero e feliz. Oxalá!

Desembarcamos no começo de fevereiro no Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi (Terra Dourada), em Bangcoc (livepage.apple.com), até agora, para mim, o mais impressionante de todos onde estive. Com a construção finalizada em 2006, o complexo é gigantesco, ultramoderno, com uma arquitetura original, linhas tipicamente tailandesas, muitos itens decorativos tradicionais do país e fotos do rei e da rainha espalhadas de cabo a rabo, tanto dentro, como fora da estrutura.

Quanto mais ando por lá, observando a organização, mais inquieta vou ficando, quando penso no nosso pequeno Aeroporto Internacional do Galeão, o Tom Jobim, no Rio – os atrasos frequentes nos embarques, as filas confusas, a demora nos desembarques – imaginando como vai ser na época da Copa e das Olimpíadas, daqui a quatro, seis anos… Recentemente, de volta para casa, no Brasil, procurei, mas vi poucos sinais de avanço no uso da injeção dos reportados R$ 678.9 milhões em melhorias até 2014. Não é só de reforma no piso, elevadores, paredes e banheiros que precisamos, mas, sim, de um remake total, um terminal novo, melhoria espacial e operacional para que tudo flua com mais rapidez, conforto, pontualidade e eficiência. Mas cadê essas obras? O  tempo passa num piscar de olhos…

Bangcoc

Foi a nossa terceira incursão à cidade. A hospitalidade do povo, a comida, a segurança, a inspiração para o trabalho criativo, a cultura fascinante… Tudo isso nos faz querer voltar sempre.

Uma amiga uma vez me falou de três tabus no país. O primeiro é que considera-se rude tocar a cabeça de alguém, a parte mais alta e sagrada do corpo. O segundo é apontar alguma coisa com os pés, que é a parte mais baixa. E o terceiro seria qualquer tipo de contato físico entre uma mulher e um monge budista. A mulher está proibida de tocá-lo. Infração séria por aqui.

Contanto que não pisássemos na bola nesses três quesitos, estaríamos bem.

Logo no aeroporto, já sentimos o impacto do culto ao rei Bhumibol Adulyadej (livepage.apple.com), atualmente, com 82 anos de idade, no reinado mais longo do mundo (desde 1946). E, pegando a estrada, lá fora, esse sentimento segue num crescendo. Em todo o país, vemos cartões, selos, placas comemorativas e grandes outdoors, mostrando várias fases da vida do soberano. Ao conversar com os tailandeses, podemos sentir em comum uma admiração genuína pelo rei, reverenciado e adorado nos quatro cantos.

Recentemente, em 2008, a revista Forbes o apontou como o monarca mais rico do mundo. Ele continua ainda envolvido em vários projetos de desenvolvimento social e econômico do país e, apesar de não governar, detém grande poder. Nos últimos tempos, as notícias da sua saúde têm sido monitoradas com ansiedade. Ele está hospitalizado desde setembro do ano passado, por conta de uma infecção pulmonar (com o pronunciamento oficial, esse ano, de que “passa bem”), mas ninguém sabe ao certo qual é a sua verdadeira condição atual.

O príncipe herdeiro, Maha Vajilarongkorn, não tem o carisma e a a autoridade moral do pai, e muita gente teme que a sucessão desestabilize o país…

Por falar nisso, outra transgressão feia seria fazer um dedo de crítica que seja ao monarca, quase divinizado…

Ao invés do costumeiro hotel à beira do rio, desta vez, decidimos nos hospedar primeiro num ponto da movimentada rua Sukhumvit, a mais longa do país, no coração da cidade. Lá, pudemos explorar o lado mais cosmopolita de Bangkok, curtindo o nosso passatempo favorito: bater pernas, nos misturando à gente local. Mais tarde, no final da viagem, trocamos de hotel e voltamos para o rio.

A pouquíssimos passos de onde estávamos, subíamos diariamente a escada para a estação Asok do BTS Skytrain. Muito prático para ir a qualquer lugar, evitando as filas para táxi e engarrafamentos. As estações são limpas, modernas e funcionais. No trem, em cada vagão, há uma TV que, durante os comerciais, indica as paradas a seguir. Os letreiros estão em ambos os alfabetos: tailandês e romanizado.

A estação de Siam, sempre uma parada obrigatória para nós, é a maior e mais agitada. Tem passarelas conectadas a vários shopping centers: Siam Paragon, Siam Center, Siam Discovery Center e Central World Plaza. Em cada um deles, uma concentração variada de restaurantes, galerias de arte, lojas e várias opções de lazer. Curiosidade: “Siam” – ou Sião, para nós – era o nome oficial do reino da Tailândia até a década de 30.

As passagens de única jornada do trem têm que ser compradas nas maquininhas. Nos guichês, os funcionários nos vendem apenas os passes de múltiplas jornadas e trocam o dinheiro para as máquinas. A quem vai ao país pela primeira vez, cuidado para não perder tempo enfrentando fila nos guichês para a compra de tickets, em vão. É nas máquinas que eles são vendidos e elas só aceitam moedas.

Uma coisa que chama a atenção nas ruas é a quantidade de barracas de comida montadas precariamente nas calçadas. Lek, minha amiga, disse em certa ocasião que é possível viver no país, comendo bem, sem se cozinhar um único dia. Muita gente nem tem uma cozinha propriamente dita em casa… A comida é barata, o tailandês gosta de variedade, de comer um pouco de cada coisa, e as pessoas acabam fazendo as refeições na rua mesmo. O povo local sabe onde e como comer lá fora, às vezes, melhor até do que em muitos restaurantes de luxo, por uma pechincha. Informação a que nós, forasteiros, pouco temos acesso. Com medo de um piripaque digestivo, acabamos apenas sentindo o cheirinho das especiarias, contemplando e, eventualmente, fotografando a comida dos quiosques ao ar livre… Com água na boca.

Quando passamos por Bangcoc, outra visita que não deixamos de fazer é ao Mandarin Oriental Hotel (livepage.apple.com), sempre na lista dos melhores do mundo. Ele foi inaugurado em 1879 e tem uma aura muito especial de elegância e sofisticação do “Velho Mundo”, “chiquetíssimo”, como diria o meu amigo, Waki. Um jantar no buffet do restaurante The Verandah (livepage.apple.com) ao ar livre é altamente recomendável. Porque além da comida internacional variada e da bela vista noturna do rio Chao Phraya, ao chegar ao hotel à noite, pode-se, de quebra, apreciar um pequeno concerto de violinos no lobby, onde um quarteto vistoso, trajando smoking, toca diariamente. Pode soar a frescurinha, mas para quem aprecia música clássica, é uma delícia. Mesmo que não seja nessa faixa de horário, ou especificamente para jantar, é sempre gostoso passar uma tarde à toa, tomando um café, deambulando pelas dependências do hotel. O spa, do outro lado do rio, também é muito bom.

A construção tem uma ala antiga, original, da era colonial, chamada “sala dos autores” (Authors’ Lounge), hoje um café, com fotos e mementos, com um ar meio nostálgico, em homenagem aos muitos grandes nomes da literatura que viveram ou se hospedaram por lá. Entre eles: Ernest Hemingway, Joseph Conrad, Henry James, Graham Greene,  Sommerset Maugham e Noel Coward (livepage.apple.com). Dessa vez, contrataram um músico que dedilhava o violão na sacada do salão, adicionando um pouco mais de charme ao chá da tarde.

O hotel tem o maior número de funcionários (3) por quarto (incluindo um solícito mordomo) de toda a indústria hoteleira.

Dessa vez, nos hospedamos no Oriental no finalzinho da nossa estada. Infelizmente, o seu jantar-cruzeiro (dinner cruise) estava suspenso nessa estação. Há um ano, foi memorável – um dos melhores da minha vida – e esperamos um dia ainda poder repetir a experiência.

A propósito, será que alguém se recorda daquele musical de 1956, O Rei e Eu, com Yul Brynner? Ou a produção mais recente, Anna e o Rei (1999), com Jodie Foster? A personagem Anna, a governanta real que vai ensinar as esposas e filhos do rei de Sião no filme, é baseada na vida da inglesa Anna Leonowens (há rumores de que ela teria raízes portuguesas…), professora de inglês que trabalhou no país entre 1862 e 1868 (livepage.apple.com).

Apesar do sucesso no Ocidente, na Tailândia sua imagem é de persona non grata pela confusão que ela armou com a história do país e a do rei Mongkut Rama IV (o “pai da ciência e da tecnologia da Tailândia”) no seu livro de memórias – sob o rótulo de não-ficção – considerado um exagero deturpado, cheio de inconsistências, além de plágio de outras obras romanceadas.

Pois então, outra curiosidade: O filho dela, Louis Thomas Leonowens (livepage.apple.com), já foi também um dos co-proprietários do Mandarin Oriental Hotel.

Hoje, dois séculos depois, a empresa Louis Thomas Leonowens Ltd., fundada em 1905 por ele, continua em firme expansão e lida com com outras praias: produtos químicos, de agricultura, construção, hardware, segurança e equipamento biomédico.

Jim Thompson

Já um pouco mais familiarizados com a cidade, não tínhamos tanta pressa, nenhum roteiro definido… O único programa de turista de que fazíamos questão nessa viagem era visitar a casa onde viveu Jim Thompson – o revitalizador da indústria da seda na Tailândia – que nos intrigava com sua nada ordinária história de vida (livepage.apple.com).

Para começar, éramos fãs dos seus tecidos e a cada visita, tínhamos como costume bater ponto em uma das lojas Jim Thompson, com seu decor bem distinto, para nós, sempre uma festa de cor e beleza aos sentidos.

Americano, com formação em arquitetura, ele foi parar em Bangcoc como oficial da inteligência militar americana durante a Segunda Guerra Mundial, numa organização (OSS) que mais tarde deu início a CIA. Depois, viu o potencial do país, resolver ficar, e investir no Oriental Hotel (o mesmo descrito acima), do qual também foi co-proprietário e, por algum tempo, responsável pela redecoração e reforma. Mais tarde, acabou se desiludindo com a parceria e passou a direcionar seu olhar artístico para a seda tailandesa, tecida a mão, quase moribunda na época. Começou a aplicar seus talentos em cores e design numa produção de seda de fundo de quintal que, através dos anos, acabou se transformando numa grande indústria internacional de exportação, com 25 lojas na Tailândia e várias (27) fora do país.

Hollywood levou a sua seda para a audiência global, no figurino das grandes produções de Ben HurO Rei e Eu. Um grande sucesso.

Ele acabou se tornando o maior anfitrião estrangeiro da Tailândia, sempre recebendo convidados ilustres na sua famosa casa do canal (na estação do Estádio Nacional), construída a partir de seis casas tradicionais de teak (teca) do século 19, trazidas da cidade antiga de Ayutthaya. Sua coleção de antiguidades era eclética, com uma mistura de elementos europeus e asiáticos, célebre pela harmonia na decoração. A casa hoje é um museu e continua do jeito que ele deixou.

Chegamos então à parte mais misteriosa da história: sua saída de cena em 26 de março de 1967, aos 61 anos. Ele estava na Malásia, na cidade de Tanah Rata, em Cameron Highlands, hospedado na casa de amigos, com uma acompanhante. Numa tarde, depois de um piquenique, enquanto todos tiravam uma sesta, saiu para uma caminhada. E nunca mais voltou.

Até hoje, ninguém tem uma idéia concreta do que aconteceu, só teorias, cada uma mais rocambolesca do que a outra: alguns dizem que ele teria sido devorado por um tigre na selva; outros, que teria sido sequestrado por causa das suas conexões com a CIA ou com o antigo Premier, Pridi Phanomyong; ou levado por comerciantes rivais; ou sofrido um ataque cardíaco, etc, etc.

Alguns detalhes: Jim Thompson tinha treinamento de sobrevivência na selva. Sempre simpático e afável, segundo os amigos, ele se mostrou tenso e irritadiço no dia do desaparecimento. Para completar, sua irmã mais velha foi assassinada seis meses depois, em circunstâncias misteriosas. E o filho dessa irmã cometeu suicídio mais tarde. A família sempre suspeitou que a morte dela estivesse relacionada com a busca do testamento do irmão…

A história é tão fantástica que serviu como material para vários livros e um filme. E o protagonista, Jim Thompson, acabou se transformando numa lenda. Seu corpo nunca foi encontrado.

Quem sabe, não tenha começado vida nova, com outra identidade, como muita gente imagina… Estaria hoje com mais idade que o meu avô quase centenário. A possibilidade mais otimista.

O grupo original de tecelões detém parte das ações (conferidas por Jim Thompson ainda em vida) da empresa. Ele era divorciado e não tinha filhos. Após uma disputa de anos, a Siam Society e o sobrinho, Henry B. Thompson III (principal beneficiário da família), concordaram em estabelecer juntos a Fundação James H. W. Thompson (1976), para administrar os bens e promover atividades culturais no país.

O complexo da casa-museu fica numa rua estreita que, não fosse o intenso fluxo de gente, passaria facilmente despercebida. Ela está aberta para visitas das 9 da manhã às 6 horas da tarde. Ao comprar o ingresso, somos divididos em grupos de acordo com o idioma e temos que esperar por alguns minutos até o início do tour de meia-hora com uma guia, em grupos de mais ou menos dez pessoas. Fotos são permitidas apenas na parte de fora, não dentro da casa.

Oásis no meio do calor, os cômodos eram pequenos e frescos,  repletos de antiguidades trazidas principalmente do Laos, do Camboja, da Malásia e da antiga Birmânia. Foi preciso algum esforço para me ajustar ao ritmo do grupo. Teria apreciado mais a experiência se pudesse perambular com tranquilidade, livremente pelo complexo, com um livro explicativo na mão talvez… E assim, imaginar a casa habitada de outros tempos, sem pressa: cigarra cantando, tardes de leitura à janela, banquetes com a porcelana fina, risos, música, seda, sedução… Mas o tour tinha que seguir adiante. Muito zum-zum-zum. Quase colidimos com outros grupos, com suas respectivas guias dando a mesma explicação, simultaneamente, em idiomas diferentes…

A paz que desejava na exploração da casa, realmente de muito bom gosto, pude encontrar depois, no café-restaurante dentro do complexo. A comida era boa. E o lugar, agradável.

Chiang Mai

A viagem aérea de Bangcoc, leva pouco mais de uma hora. Localizada ao norte do país, Chiang Mai é a segunda maior metrópole, depois da capital. Voamos Bangkok Air pela primeira vez: Bangcoc-Chiang Mai, Chiang Mai-Siem Reap(Camboja) e Siem Reap-Bangcoc-Phuket. O serviço de bordo foi satisfatório, com um bom lanche de cortesia, mesmo em vôos curtos como esses, e uma tripulação atenciosa e competente.

Ao desembarcar e pegar a estrada, a minha percepção inicial é da diversidade. Assim como em Bangcoc, da janela do carro, pouco a pouco, vai se descortinando, uma cidade salpicada de misturas do novo com o tradicional, o urbano com o rural mas, numa atmosfera bem mais relaxada e provinciana. Apesar de ter uns 500 anos a mais do que Bangcoc, Chiang Mai em tailandês quer dizer “cidade nova”, e foi, na verdade, a primeira capital e centro cultural do país.

O sistema de transportes não é tão eficiente e as estradas vivem congestionadas. A cidade cresce rapidamente, de forma meio caótica, com o influxo de turismo, e os meios de locomoção principais são: a moto (muito alugada também pelos turistas), o carro, o tuc tuc e o ônibus, que não circula com tanta frequência.

Nosso hotel ficava no distrito comercial da estrada Chang Klan, a sete km do aeroporto, no centro do “Night Bazaar” e pertinho do rio Mae Ping.

No primeiro dia, exploramos a área à beira do rio, pontuada de restaurantes e lojinhas rústicas de artigos de seda, artesanato, antiguidades e muitas quinquilharias. Caminhar perto da água, para a gente, tem sempre um efeito meio calmante, de redução de marcha, o impulso de querer retardar o tempo, desacelerar a vida… Os cafés e restaurantes nos convidavam para uma bebida gelada. Com a fome chegando, elegemos um chamado The Good View, um estabelecimento grande e arejado, previamente recomendado pelo hotel. Contudo, infelizmente o atendimento e a comida não fizeram juz à vista. Pratos bem diferentes das fotos no cardápio; frutos do mar com um leve gosto barrento… Nossa primeira decepção gastronômica na Tailândia…

Vimos muitas casas de massagem e descobrimos que a cidade, além de ser o epicentro da arte, tem também a melhor reputação do país para esse tipo de serviço.

A tradicional massagem tailandesa é bem particular e usa uma série de movimentos de alongamento parecidos com os do yoga. A massagista manipula o corpo do cliente com as mãos, os braços, as pernas e os pés, ativando a circulação, trabalhando a flexibilidade, energizando e relaxando. Não se usa nenhum tipo de óleo e não é preciso tirar a roupa, só vestir alguma coisa bem leve e confortável. Ao contrário das massagens a óleo, em que a pessoa se despe completamente (uma toalhinha é permitida) e que podem também ter uma conotação sexual, quando o cliente é homem.

Por isso, aos interessados, é preciso ter cuidado ao escolher um estabelecimento condizente com o tipo de serviço que se espera. Há todo tipo de massagem: das pedras quentes, à massagem dos peixes, ao shiatsu, à reflexologia… Os spa resorts costumam oferecer um serviço de qualidade, mas também preços mais altos. Já quando lemos no letreiro, “massage parlor”, é bom ficar alerta. O estabelecimento muitas vezes é uma fachada para prostituição.

Talvez a “massagem dos peixes” que citei acima tenha feito alguma cócega na sua curiosidade… A verdade é que em vários pontos da Tailândia e do Camboja, vimos cartazes (com fotos) desse serviço. São casas com uma espécie de piscina, ou grande banheira, cheia de peixes, onde os clientes colocam os pés para que o cardume devore as células mortas da pele. Em seguida, é feita uma massagem com hidratante que deixa os pés macios e lisinhos…

Existem diversas escolas rivais de massagem tailandesa na província e o governo está tentando estabelecer um padrão comum de técnica e qualidade.

O bazar noturno de Chiang Mai é uma imensa feira ao ar livre – uma das maiores do país – com preços bem razoáveis por causa da proximidade dos produtores e do custo de vida relativamente baixo da cidade. Ainda por cima, barganháveis. A variedade dos artigos é grande e pode-se comprar muita coisa por uma bagatela: bolsas, roupas, sapatos, acessórios, DVDs, cerâmica, etc, etc. Mesmo para quem não se empolga muito com o consumo, a atmosfera é turística, sim, mas vibrante, interessante só de olhar: vale a pena dar uma conferida.

Na tarde do dia seguinte, exploramos a rua Nimmanhaemin, célebre pela concentração de galerias de arte com trabalhos de qualidade. A que mais nos impressionou foi O Studio Kachama (livepage.apple.com). Nome da galeria e também da artista, a nikkei tailandesa, Kachama K. Perez, com formação na Tokyo Mode College, um instituto japonês de arte e design. Além disso, ela estudou a cultura e os aspectos da produção dos tecidos das tribos montanhesas, principalmente da Karen, aquela dos pescoços longos, com argolas coloridas. Seu trabalho é, atualmente, focado na tecelagem de fibras naturais de seda e algodão, para a criação de tapeçarias cheias de expressão, simbolismo, com o uso de pérolas, jade, corais, conchas, pedras…  Uma mistura única de técnicas antigas, emoção pessoal e material natural – muito original.

Seu marido, o francês Jean Perez, administra os negócios. Muito simpático, ao nos despedirmos, nos recomendou que tomássemos um táxi para ir embora, de um hotel próximo, onde os preços seriam tarifados e justos. Seguimos o conselho e, quando estávamos na recepção, pedindo o táxi, um grupo de japoneses acompanhado de uma tailandesa chegou para o check in. Qual não foi nossa surpresa quando percebemos que a tailandesa era Meena, nossa amiga com quem estávamos tentando marcar um encontro, após sua viagem de trabalho a Chiang Mai! Ela, que trabalha numa empresa japonesa no país, dias antes, havia nos dito que teria que acompanhar clientes à cidade, e nos veríamos então após essa viagem, de volta a Bangcoc. E não é que fomos nos esbarrar por acaso justamente nesse hotel, no meio dessa cidade imensa?! Ficamos arrepiados. Foi uma cena cômica, com gritinhos, olhos arregalados, uma boa surpresa.

Mundo estranho…

No último dia, depois de já ter passado por uma peregrinação espiritual por vários templos na Tailândia e no Camboja, no lugar do famoso templo da montanha, Wat Phrathat Doi Suthep, recomendado por todos, nos decidimos pela fuga da multidão e a tranquilidade da visita ao Mandarin Oriental Dhara Dhevi Resort (livepage.apple.com). São 60 acres de construções majestosas, baseadas num projeto conceptual de reprodução da cidade antiga, do reino tailandês Lanna (séc.13-16), com uma salada de estilos e influências, hortas, lojas, oito restaurantes, templo, casas, lagos com a flor de lótus, um palácio com torres, muralha fortificada e tudo mais. O ideal para se deslocar dentro da propriedade é pegar uma das bicicletas do hotel ou uma carona nos carrinhos que circulam por lá, tão grande que é.

Foi uma experiência diferente. Admito, nada autêntica, naquele mundo do faz de conta na boca da selva, mas dinâmica, com movimento, sem barulho, exótica e aprazível. Foi a nossa tarde mais agradável e tranquila em Chiang Mai.

Phuket

Depois de quatro dias no Camboja, voamos para Phuket, em busca de sossego. Já tínhamos badalado bastante, batendo pernas sob o sol. Por isso, fomos para a ilha com uma expectativa antecipada de serenidade, tínhamos na cabeça a imagem paradisíaca das palmeiras, do mar, um livro, uma piña colada e a companhia um do outro… Não queríamos nada mais. Dessa vez, não saímos em cruzeiros pelas outras ilhas, não fizemos trilhas, não fomos mergulhar… Apenas curtimos a praia e o passar do tempo, bem devagar.

Phuket é uma ilha ao sul da Tailândia, a maior do país, mais ou menos do tamanho da Cingapura. Mais de cinco anos se passaram desde a grande tsunami e a reconstrução da província. Mas, parece fazer muito mais tempo. A indústria do turismo está robusta e, talvez, infelizmente também, mais ganaciosa. É o que sentimos, mais do que em outros lugares do país, e ouvimos nas conversas com visitantes mais experientes.

Faz calor o ano todo. O período menos recomendável para visita seria entre  maio e outubro, época das chuvas.

Ficamos hospedados num dos hotéis do Laguna Beach Resort (livepage.apple.com), um complexo de mais ou menos mil acres de uma espécie de parque tropical, localizado entre uma grande lagoa e o mar. Do resort, tínhamos acesso à praia e havia também um pequeno ônibus, cortesia do complexo, que nos levava à vila do comércio, perto do hotel.

Foi uma estada tranquila, do jeitinho que queríamos.

A lembrança mais especial foi de uma pequena elefanta (ou elefoa) – a Lilly – mascote do hotel que, de dia, perambulava pela propriedade. Inteligente e afetuosa, logo nos conquistou.

Podíamos acarinhá-la, dar água num copo, um trocado, que ela logo pegava com a tromba e colocava no bolso do seu acompanhante/treinador. Feliz da vida, ganhei um abraço e uma bitoca (foto).

No caminho de volta, de passagem por Bangcoc, encontramos uma loja com esculturas de madeira de elefantes, tão bem feitas que numa fotografia poderiam ser facilmente confundidas com os animais em carne e osso. Cada um com tamanho, expressão e pose diferente. A loja chama-se Mai-Mai e fica perto do Oriental Hotel, no segundo andar do Oriental Place, um shopping mall high end. Pela proximidade e a semelhança do nome, pensei que tivesse vínculo com o hotel. Mas estava enganada. Para quem tem tempo limitado, não quer andar muito para encontrar boa seda tailandesa, antiquários, galerias descoladas espalhadas pela cidade, e não se importa em gastar mais, esse shopping pode ser uma boa opção. As lojas têm produtos de qualidade.

Voltando à Mai-Mai, as obras, em madeira entalhada, são do artista Petch Viriya e do seu grupo de artesãos da aldeia Baan Chang Nak. Os preços aqui são bem razoáveis e a gerente, Sukunya, muito simpática e falante. Ela faz questão de batizar e dar a data de “nascimento” de cada elefante vendido.

No momento, nem essa loja, nem o artista tem um website ativo.

Quanto ao OP Place, ou Oriental Place, aqui estão mais detalhes:livepage.apple.com

Não resistimos e adquirimos uma família trombudinha: pai, mãe e filhote. Uma pequena lembrança de Lilly e desse país, que segue nos surpreendendo a cada retorno.

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