E deu Rio na cabeça!
Não foi diferente do resto do mundo aqui. A vitória da cidade no pleito em Copenhague, durante dias, trouxe muita discussão e ocupou – além do escândalo “Letterman” – espaços de destaque em todos os canais de comunicação.
Como naquele filme, em que o mocinho foge da igreja com a noiva alheia, não me surpreenderia se a câmera seguisse rodando, depois da explosão de orgulho cívico, e nos flagrasse, a muitos de nós, brasileiros, com uma vaga expressão de quarto minguante, meio presente, meio ausente, pensando com nossos botões: E agora, José? O que nos espera? Uma empreitada construtiva ou mais um grande elefante branco? Colheita farta de frutos olímpicos ou confete de carnaval?
Parafraseando César, a sorte está lançada. E acredito que mesmo para os reticentes, no final das contas, acaba falando mais alto o otimismo, o brio verde-amarelo. Temos, pela frente, nos próximos anos, a missão de administrar uma cadeia formidável de eventos: os Jogos Mundiais Militares, em 2011; a Copa das Confederações, em 2013; a Copa do Mundo de 2014; até, finalmente, os tão aguardados Jogos Olímpicos de 2016. Hora de arregaçar as mangas. Mãos à obra, Brasil!
Tropeços à vista? Certamente, sejamos realistas. Mas, como muitos conterrâneos, apesar de certa inquietude pela dimensão do desafio, quero reforçar o coro dos que acreditam que, ao longo da estrada, seremos capazes de aprender com nossos próprios erros. E crescer.
Já do lado de cá, nos Estados Unidos, graças a uma pergunta, à queima roupa, dirigida ao presidente Obama por um membro do Comitê Olímpico Internacional, criou-se, oportunamente, mais um gancho para debate nacional: até que ponto as dificuldades enfrentadas pelos turistas no processo de entrada no país – desde a obtenção do visto ao tratamento pouco afável nos aeroportos americanos – influíram no escanteio da candidatura de Chicago? Hora de olhar bem para o umbigo. Resta torcer para que a discussão floresça e traga medidas eficazes de mudança.
Quanto à decisão do COl, assim como no Brasil, aqui também, nos fóruns de comentários, a opinião pública está dividida. Alguns lembram as promessas não cumpridas nos Pan Americanos, o seu custo-benefício para lá de irrealista e expressam preocupação, acima de tudo, com a violência urbana da cidade.
A revista Time publicou um artigo crítico, entitulado: “O Rio pode dar conta dos Jogos de 2016?”
http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1926094,00.html
Por outro lado, apesar da saída de campo de Chicago, jorram também vozes de apoio, satisfação e incentivo dos próprios americanos, e do resto do mundo.
No lobby da comissão brasileira, além da repercussão positiva do projeto olímpico, da beleza natural e da sempre tão alardeada alegria de viver do carioca, o fato do Rio ter sido recentemente eleito “a cidade mais feliz do mundo”, pela revista Forbes, caiu também como sopa no mel.
Afinal, o ideal de uma vida boa e feliz ecoa em toda a humanidade. E, apesar do ceticismo de tantos quanto à questão da segurança, é inegável também o fascínio despertado pela energia e o bom humor do brasileiro, numa época em que países, como a França, incentivam o foco nos estudos da felicidade, seguindo o exemplo pioneiro do Butão que, em 1972, iniciou a mudança da priorização do PIB (produto interno bruto) para a do FIB (felicidade interna bruta), com ênfase na relação da qualidade de vida e do meio ambiente com a saúde econômica nacional.
Boa parte do mundo está disposta a ver de perto, compartilhar e, por que não – se a felicidade é mesmo contagiosa como afirmam estudos recentes - levar para casa um pouco da nossa tão celebrada alegria.
Incidentalmente, na crista da onda, o Rio acaba de ser eleito, no concurso World Travel Awards, da Travel Weekly Magazine, o melhor destino turístico da América do Sul e, Ipanema, a melhor praia, turbinando ainda mais o interesse pela cidade. O prêmio será entregue numa cerimônia, em Londres, no dia 7 de novembro.
Nos próximos anos, vale acompanhar de perto a escala (ou escalada?) da evolução dos níveis de entusiasmo e contentamento da “cidade mais feliz do mundo”, com a perspectiva de tantos mega-eventos.
Madame Kano profetiza um grande baby boom.




Posted on 05/10/2009
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