Hoje, uma adolescente americana, dessas bem antenadas com a moda, me perguntou se eu conhecia uma marca brasileira de sabonete com uma linha famosa de alfazema. Pensei, pensei. Arrisquei uma conhecida, duas, três… E nada. Pedi outra pista. Ela se lembrava vagamente que tinha lido uma terminação em -bo.
Fui para casa intrigada.
No dia seguinte, me trouxe um recorte de revista. No trecho escrito, com a foto do produto, uma top model brasileira se dizia feliz por finalmente ter encontrado nos Estados Unidos o seu sabonete preferido: o Phebo de alfazema, da Casa Granado. Pronto. Resolvido o mistério.
Fiquei pensando, com meus botões, no poder de referência da modelo, no comentário aparentemente inocente para a revista americana – em exatas duas linhas – no marketing bem feito, com uma bela foto, que conseguiu despertar a centelha do interesse naquele nosso sabonete bem tradicional – popular desde a geração da minha avó – nesta jovem conhecida, e em quantas outras mulheres pelo país afora, num mercado competitivo como o dos Estados Unidos. Esse mês, deve ser marcado por mudanças importantes na dimensão da lente sob a qual a Phebo é vista no país, e na sua convergência luminosa, algo assim mais “pop”, ou “cool”, ou “in”. Será que exagero? Acho que não. O tempo dirá.
Como quase todo estrangeiro residente, uma das minhas primeiras providências ao chegar, foi buscar na internet lojas com produtos da terrinha. E – ainda bem – da
mesma forma que no Japão, onde vivi por quase 16 anos, não foi difícil encontrar por aqui estabelecimentos com a bandeira verde e amarela, as costumeiras massas de pastéis, o feijão, o guaraná, as camisetas e revistas. Logo pude matar a saudade de produtos, que hoje aprendi a apreciar muito mais, todos cercados de certa aura nostálgica, guardados em casa com carinho, de preferência, para momentos especiais.
O sabonete da Phebo acabou atravessando a fronteira da lojinha brasileira. E, assim como ele, uma série de outros produtos (além do nosso eterno café) vêm
ganhando visibilidade, sendo rapidamente associados ao Brasil pelo consumidor daqui. Para citar alguns que me chamam a atenção na rua, o suco de açaí, que recentemente encabeçou a lista de super alimentos do programa da Oprah, e as nossas velhas e queridas sandálias Havaianas, no verão, encontradas até na Gap.





K@bal
18/12/2010
Ótimo Texto, adorei. Tenho verificado bastante essa “Internacionalização” do Brasil, cada vez menos Brazil e mais Brasil.
Lilian Kano
18/12/2010
Obrigada, K@bal.
A própolis é outro produto bastante apreciado, sempre encomendado quando volto ao Brasil (claro, sem mencionar a MPB e, cada vez mais, o nosso cinema também);-)
Abs!