MPB no Hollywood Bowl

Posted on 18/09/2009

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Foi a nossa terceira incursão ao Hollywood Bowl. Dessa vez, ainda mais especial pelo grand finale, o formidável espetáculo de fogos marcando o fim do verão, e pela conexão do concerto em si – entitulado Blame it on Rio – com a terrinha, apresentando Bebel Gilberto, Seu Jorge e a Orquestra Filarmônica de Los Angeles.

O Hollywood Bowl se tornou, em pouco tempo, um dos nossos programas favoritos nas noites de verão e, a cada ida, bem-humorados, nos damos conta de que o grau de sofisticação do nosso ritual de preparação vai aumentando.

Na primeira vez, amigos nos orientaram a levar comida para o jantar e uma boa garrafa de vinho. Ao chegar, bem antes do horário do show ao ar livre, nos deparamos com um cenário alegre e colorido, todo aquele povo sentado na platéia, nas mesas decoradas com belas toalhas, velas e até flores trazidas de casa, confraternizando animadamente, curtindo a brisa da noite e a antecipação do prazer de ouvir boa música, em companhia querida, sob um céu enluarado.

De lá para cá, fomos nos aperfeiçoando. Agora, além da comida e do vinho, saímos de casa munidos de uma cesta de piquenique (de rodinhas!) com todos os utensílios necessários, uma bela toalha de mesa indiana e almofadas. “Na próxima vez, vamos adicionar uma vela também”, pisco para o meu marido.

Quando não conseguimos ingressos do box – um cercadinho com mesas e cadeiras, de melhor localização para o show – chegamos cedo  e estudamos o mapa e estratégias para pegar uma das mesas em áreas de piquenique de acesso livre ao público, fora da platéia, todas, naturalmente, ocupadas num estalo.

A Filarmônica de Los Angeles começou apresentando uma homenagem a Tom Jobim. Nos deliciamos matando a saudade de clássicos como Corcovado, Desafinado e Garota de Ipanema, impecavelmente conduzidos por Thomas Wilkins, com toda a orquestra, até que chegou a vez do primeiro inesperado da noite: a linda Rapsódia sobre um Tema de Paganini, surpreendentemente incluída no programa.

Divertido, ao ver tantos queixos caídos, o maestro explicou que numa temporada da Filarmônica de Los Angeles no Brasil, muitos anos atrás, foi feita uma enquete entre o público e descobriu-se que a peça clássica mais amada dos brasileiros era essa, do russo Sergei Rachmaninoff. Tudo por causa do sucesso do filme “Em Algum Lugar do Passado” (Somewhere in Time), com o eterno super homem, Christopher Reeves. Daí, a sua “conexão” com o Brasil.

Rio e Rachmaninoff. Tudo a ver. Ninguém ousou contrariá-lo, afinal a música é mesmo belíssima…

Ao discurso espirituoso de Thomas Wilkins, eu teria acrescentado à audiência que a MPB é um dos maiores produtos de exportação do Brasil, ouvida em todos os cantos do mundo, por um público que geralmente sabe apreciá-la, embora nem sempre esteja por dentro da procedência daquele idioma doce e melódico. Não há país que eu tenha visitado em que não tenha parado de repente – num hotel, numa loja, café ou restaurante – e perguntado, orgulhosa: “Sabe de onde é essa música?!” Ao que, pela enésima vez, meu marido, jovialmente, responde: “De novo, música argentina!”

Mas, voltemos ao concerto, à mágica noite de verão em Hollywood. Bebel Gilberto e Seu Jorge – cada qual a seu modo – exalaram carisma do início ao fim.

Borboleteando pelo palco, com sensualidade, bom humor, fala mansa e alguns muchochos por causa do friozinho à noite, Bebel encantou a platéia. Alguém atrás de mim não cansava de repetir: “She is so cute!” A voz é mesmo aveludada, como uma carícia. Afinadíssima, sem tremer, mandou ver, mesmo com todo o frio, o vestido de aberturas generosas, costas nuas e tudo.

Seu Jorge gastou um pouco mais do inglês e foi logo cativando o público com a entrada em cena num elegante terno xadrez, um belo sorriso e o jeitinho despretencioso. O meu número favorito do seu repertório, foi quando, munido apenas da voz grave e do violão acústico, levou o público foi ao delírio com a versão brasileira de Life on Mars, do David Bowie.

Claro, não faltaram no palco belas morenas em biquínis diminutos, com plumas coloridas e muito samba no pé. O Brasil mais uma vez reforçando o estereótipo do carnaval para gringo ver. Um lugar comum que admito, queiramos ou não, sempre faz a alegria do público lá fora.

Flashes não pararam de espocar.

Posted in: Vida nos EUA